Home Office: trabalhar em casa é moda, necessidade ou privilégio?
Vários governos já incentivam empresas a adotar o trabalho remoto entre seus funcionários. Nos Estados Unidos o próprio governo, há muito tempo, tomou a iniciativa de usar o trabalho remoto - antes mesmo de várias empresas do setor privado. Hoje já existe no mercado uma boa quantidade de ferramentas que permitem que se trabalhe remotamente com conforto e segurança.
Vantagens e desvantagens
Com o uso do trabalho remoto, alguns custos podem ser claramente reduzidos, como o fato do funcionário não ocupar mais espaço no escritório, não frequentar o cafezinho, não usar o telefone da empresa, ou não depender de serviços do escritório. Em contrapartida, a empresa irá ter novos gastos como, por exemplo, pagar a sua conta telefônica, ou da conectividade com a Internet e uso da banda larga.
Outro custo que diminui é o de manutenção dos equipamentos, uma vez que, em muitos casos, o funcionário usa seu próprio equipamento. Mas a empresa pode ter gastos com antivírus e alguns softwares, ou hardwares específicos, para viabilizar o trabalho. Em resumo: a empresa precisa disponibilizar uma infra-estrutura adequada ao trabalho requerido.
Hoje existem inúmeros softwares que podem criar a estrutura necessária para o bom funcionamento de um trabalho remoto; desde o registro do uso do computador remoto, a um software de compartilhamento de documentos e de reuniões em grupo. É importante observar a existência de grande número de softwares livres disponíveis no mercado que poderão ser usados, além do crescente uso dos serviços em nuvem. Ambos ajudam a reduzir os custos.
Trabalhar em casa não quer dizer, necessariamente, aumento de produtividade. Vai exigir que o funcionário observe metas e tenha disciplina em sua nova rotina. Mas não é só isso que vai garantir o sucesso do trabalho. É preciso participação efetiva da gerência. É importante, também, ter um plano de contingência bem traçado, com a estratégia definida para os casos de problemas de acesso, como falha de acesso à Internet e outros problemas clássicos de rede.
Trabalhar remotamente não significa estar “invisível” para a empresa, pois todos os envolvidos em um projeto devem ter meios fáceis de localizar um membro da equipe, para que participe de uma videoconferência ou dê a sua opinião sobre uma determinada solução apresentada, por exemplo.
Um problema de doença na família, ou um cano furado em casa, pode atrapalhar a rotina de um funcionário, mas se ele trabalhar em casa, este dia poderá render alguma coisa - no mínimo será melhor do que perder o dia inteiro de trabalho. Agora, imagine o impacto de uma greve de transportes se seus funcionários estiverem trabalhando em casa neste dia? Pois é... Nenhum!
Preocupado com a emissão de CO2, o governo londrino anunciou recentemente um programa chamado “Anywhere Working”, que seria traduzido como “trabalhando em qualquer lugar”. Ele visa incentivar empresas a reduzir o deslocamento de seus funcionários, sugerindo a implementação de jornadas flexíveis e o uso do trabalho remoto. Este programa conta com o apoio de empresas como a Microsoft e a Vodafone, que darão dicas e treinamento em tecnologias que permitam o trabalho em casa. Um grande impulso para as empresas aderirem ao projeto é o fato do governo inglês ter como um dos objetivos levar a Internet a 90% da população até 2015.
Do lado negativo, é sabido que muitas empresas ainda evitam esta modalidade face a sua “novidade” e a falta de estatísticas e de legislação especifica, uma vez que não há controle efetivo de horas trabalhadas, poderão ocorrer questionamentos na Justiça de horas extras, trabalho noturno, etc. É importante que o contrato contenha clausulas bem especificas voltadas para essa nova modalidade de trabalho.
Conclusão
Na minha opinião, o trabalho remoto é uma boa alternativa e ambos os lados – empregado e empregador - ganham. Leia-se ganhos no lugar de riscos. Vale lembrar também que fugindo dos engarrafamentos e do stress da rotina diária, os funcionários ganham em qualidade de vida.
De um lado, o funcionário pode ajustar o seu próprio ritmo de trabalho, ter maior autonomia, ter mais tempo livre e menos stress. Do outro, a empresa notará uma redução de custos, que vem a ser uma das principais vantagens.

